Editorial

Há 33 anos a Acreditar!

Daniela Fazendeiro

Este é o ano das datas redondas, dos aniversários, das agendas de comemorações, dos marcos importantes e das histórias memoráveis. 33 não é uma data redonda, mas é digna de comemoração na mesma! Tal como celebramos todas as pequenas conquistas do Jornal A CABRA, não poderíamos deixar passar esta data em vão.

O trabalho que fazemos na nossa redação, na sexão (como Bruno Ferreira, por cá ainda mantemos o x!), é fruto de grande esforço, companheirismo, admiração e honesta devoção ao projeto de José Albuquerque, Teresa Gomes e João Saraiva. Apesar das mudanças, a luta mantém-se a mesma: a de acreditar. Acreditar que o jornalismo deve ser um pilar fundamental e imprescindível na construção das nossas comunidades, na preservação da democracia e na luta por uma sociedade livre e crítica. Acreditar que a Associação Académica e a Academia de Coimbra devem ser um espaço aberto à discussão, que preserva a memória, mas não a deixa sabotar a construção do futuro. Acreditar que o trabalho feito pelos estudantes da Universidade de Coimbra é valioso e constitui a maior parte da produção cultural da cidade. O rigor, a exigência, a formação e a amizade são valores transversais aos 33 anos de vida do Jornal A CABRA e aos demais estudantes que a viveram.

Desde a fundação do jornal, criámos o site acabra.pt em 2003, publicámos edições especiais do Dia do Estudante, do 25 de abril e do Dia da Mulher, não falhámos uma cobertura das festas académicas e das noites eleitorais, começámos a integrar o jornalismo multimedia na redação de reportagens de investigação, estabelecemos uma parceria de distribuição com o Diário de Coimbra – continuámos a imprimir em papel. É graças a todos os colaboradores, redatores, editores e a todas as direções, desde 1991, que hoje o Jornal Universitário de Coimbra – A CABRA pode dizer que é o único jornal universitário que imprime em papel a nível nacional e dos mais antigos e maiores projetos jornalísticos académicos, apenas composto por estudantes.

Os quatro textos escritos pelas direções dos primeiros quatro aniversários do Jornal A CABRA são hoje relembrados, numa proposta de reflexão sobre o que A CABRA foi e o que queremos que ela seja. Acima de tudo, são motivo de uma celebração imprescindível, de uma publicação que procura devolver a cada estudante o verdadeiro grito da academia – o da Liberdade.

Ana Filipa Paz



Editorial do N° 0 d’A CABRA de 8 de Janeiro de 1991

Acreditar!
Acreditar é a palavra de ordem, sempre que se inicia um projecto, sempre que se desafia o imobilismo e se tenta romper contra a situação criada.
Acreditar, mesmo após se ter feito o possível e quase o impossível, é tudo o que resta à Secção de Jornalismo. Acreditar que a Reitoria na recta final dará o seu apoio e que A Cabra será uma realidade. E, no entanto, triste verificar que centena e meia de contos impedem todo um projecto, que foi estruturado e apresentado o quem de direito e que neste momento é uma incógnita.
Acreditemos.
O N° 0 da Cabra, não será apenas mais um numero, será o primeiro de uma série, será o assinar de um compromisso com a academia. Queremos ser, de uma forma consciente, o espelho do pensar e do sentir de toda uma academia, o local privilegiado de debate. É tempo que Coimbra, a sua academia, volte a debater internamente mas de forma generalizada, as questões que directamente lhe interessam e sobre as quais não pode deixar de ser ouvida.
Numa altura em que se comemoram os 700 anos da Universidade, onde a DG rejeitou um subsídio de 2000 contos por não se atender à especificidade da AAC; onde a Faculdade de Direito e a FCTUC vivem períodos conturbados, onde a abertura solene das aulas ainda não se verificou… é pois, premente e absolutamente necessário que A Cabra seja uma realidade.
Acreditar!
Acreditar que o factor económico não vai abortar, mais uma vez, um projecto de dimensão cultural e de participação de um colectivo que ascende aos 15000 estudantes é um imperativo de consciência.
Acreditamos que no dia 8 sairemos à rua.

José de Albuquerque

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Editorial do N° 64 d’A CABRA de 8 de Janeiro de 2001

As aventuras e as desventuras

Uma vez que sou eu o privilegiado que vai dar voz a uma equipa que já produziu 13 exemplares (pelo menos até este momento) deste nosso jornal, a minha primeira palavra vai para todos eles. De todos eles destaco principal-mente: o Sérgio, o Justiniano, o Brito, o Vale, a Cecília, o Correia, o Zé Carlos, o Helder e a Ana Laura. Uma grande palavra também para esse grande senhor do jornalismo, João Mesquita, a quem devo quase tudo o que aprendi nestas lides. Também devo o que demais aprendi ao Tiago, ao César e ao Curado.

Depois disto afasto o “zoom” e tento apanhar uma perspectiva geral de como têm sido todos estes meses de trabalho. Como também tive o privilégio de ler os textos dos meus antecessores, concluo desde já que a mim é muito mais difícil ter uma perspectiva tão idílica e saudosa do que aqui tenho feito, uma vez que as noites sem dormir ainda estão muito vivas na memória. Mas um dia sentir-me ei ainda mais realizado do que hoje.

O que tentámos fazer nestes 13 exemplares foi, pura e simplesmente, jornalismo. Foi informar uma academia cada vez mais distante da sua Associação Académica e que não se preocupa muito com os problemas da sua Universidade. Ainda temos muito por onde melhorar, pois o facto de estarmos, por vezes, tão embrulhados na acção à medida que ela se vai passando faz com que percamos um pouco a noção do que é importante, ou seja, do que é notícia. Precisamos ainda de encontrar definitivamente o equilíbrio entre o amadorismo e o profissionalismo não remunerado, o que nos levará certamente para o campo do rigor. E depois existem os outros defeitos do jornal: as inevitáveis gralhas, as fotografias menos boas, as primeiras páginas horríveis, etc. Certamente que um dia me lembrarei de coisas que podia ter feito melhor, mas assim foi e assim ficou.

Apesar dos defeitos, para descrever tudo o resto só existem duas palavras: amizade e esforço. Amizade que se torna mais difícil de manter quando já não podemos ver a pessoa que connosco tem passado cerca de doze ou mais horas de alguns dias de trabalho. Mas que certamente sairá fortalecida. E esforço porque quem dá o que tem a mais não é obrigado, talvez seja obrigado a melhorar o que dá.
Volto a aproximar o “zoom” para revelar o que me fez sentir melhor durante estes anos: as longas conversas em que fiquei a saber mil e uma estórias daquelas que um jornalista não pode publicar, os jantares de sexão (sim, com x, não é gralha), os elogios ao jornal e as gargalhadas (normalmente muito boçais).

Só me resta desejar-nos um futuro muito feliz. Ah! É verdade. Esta coluna parece me um espaço bastante bom pare fazer um estudo em relação a quem lê, ou não A CABRA. Quem tiver lido esta singela coluna faça-me um grande favor: quando me encontrar na rua (a minha fotografia está ali em cima), dê dois saltos ao pé coxinho para que eu saiba mais ou menos quem são os leitores do nosso jornal.

Um grande bem-haja,

Bruno Ferreira

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Editorial do N° 223 d’A CABRA de Janeiro de 2011

Na edição em que se assinalam os 20 anos do Jornal Universitário de Coimbra – A Cabra, percebemos de forma mais acentuada que esta publicação se distancia cada vez mais do que foi o número zero. Desde 1991 operaram-se muitas mudanças a nível físico e no tratamento do conteúdo. O jornal passou por muitas metamorfoses, fruto das diferentes marcas que todas as equipas que o constituíram deixaram. Já não é uma A Cabra em que a opinião está bem patente em todos os conteúdos que se produzem. Os redatores e editores que fazem A Cabra procuram, mesmo sendo amadores, seguir e respeitar os princípios que norteiam a profissão de jornalista. Ainda que sejamos capazes de admitir que a objetividade é um valor utópico, reconhecemos na mesma uma meta pela qual vale a pena lutar, de forma a transmitir a informação mais rigorosa e imparcial. Longe de criticar pela negativa os primeiros anos do jornal, pelo contrário, apenas queremos frisar que os tempos mudaram.

Contudo, o nosso jornal tem sido alvo de críticas que põem em causa os princípios que anteriormente referimos. É com um profundo sentimento de frustração que as acolhemos. Frustração pelo trabalho desenvolvido ser exigente. Por implicar a nossa dedicação sem qualquer retorno que não seja a satisfação de sermos lidos pela comunidade estudantil. Sempre tentámos fazer o melhor trabalho possível, sem segundos interesses ou agendas secretas. Por todas estas razões, acreditamos estar numa posição independente. Podemos garantir que, se de facto erramos (porque o fazemos) são situações pontuais e que queremos ao máximo evitar.

Os colaboradores da Cabra não escrevem em função de pessoas, partidos ou instituições. O nosso âmbito ultrapassa os interesses particulares ou privados. Refutamos por isso teorias da conspiração ou sentimentos paranóicos que apenas alimentam guerras, nas quais nos recusamos a participar. Se nos pronunciamos sobre o assunto, não é com o objetivo de atacar ou até retaliar, mas sim com o fim de esclarecer a nossa posição. Apenas o fazemos por considerarmos injusto que o nosso silêncio seja encarado como consentimento por alguns.

No entanto, não regramos a nossa conduta pelas críticas proferidas e, nesse sentido, achamos conveniente virar a página. Atingimos nesta edição um marco, 20 anos de história, que tal como um “antigo” da casa afirmou é um feito notável para um jornal português. Um valor acrescido pelo facto de sermos uma publicação de jornalismo universitário que se baseia no regime de voluntarismo dos seus colaboradores. Para o futuro, esperamos que A Cabra continue a renovar-se e a evoluir, pelas mais diferentes mãos vindouras mas que comungarão da mesma vontade em fazer um jornal universitário de qualidade. Para já, é com orgulho que somos parte deste projeto. Aproveitamos a efeméride para nesta edição recuperar os eventos relevantes das últimas duas décadas e, acima de tudo, a forma como A Cabra tratou os acontecimentos. Nesse âmbito, tentamos levar os leitores numa viagem (por caminhos um pouco mais criativos) pelo passado e presente da secção. Abrir as portas para mostrar aquilo que é parte do nosso quotidiano. Desde as longas horas de trabalho aos momentos de descompressão. Da construção noticiosa à produção puramente recreativa. Nesta edição, fazemos um esforço para dar a conhecer um jornal aberto, que nós fazemos mas que é, acima de tudo, de toda a Academia.

A Direção

Todas as edições d’A CABRA digitalizadas vão estar em breve disponíveis para consulta no site do Arquivo da Secção de Jornalismo da AAC. Até lá, podes consultar estes jornais na sala da Secção de Jornalismo, no 2º piso do edifício-sede da AAC.

Editorial d’A CABRA, publicado no site acabra.pt, de Janeiro de 2021

Em janeiro de 1991 nasceu o Jornal A Cabra. Uns recordam-se vagamente de o seu nascimento ter sido a dia 8, outros têm dúvidas quanto a esse facto. A verdade é que a edição 0 do Jornal Universitário de Coimbra – A Cabra vem datada apenas com o mês de janeiro, por isso fiquemo-nos com os 31 dias de celebração.

Passados exatamente 30 anos, cá estamos, e nem uma pandemia nos pode impedir de comemorar este tão grande marco, mesmo que não seja da maneira que desejávamos. É com bastante orgulho que vemos este jornal continuar de pé e a crescer, albergando já várias gerações de estudantes que nele quiseram mostrar que todos devem e têm o direito de saber com transparência o que se passa na sua Academia, cidade e Universidade. Era o objetivo de outrora e continua a sê-lo em 2021.

Fazer parte de um jornal tão exemplar, que é como uma escola de jornalismo, é algo inigualável. É conseguir perceber a responsabilidade que o jornalismo tem no mundo. É perceber a importância dos assuntos da nossa Academia que, embora mais esquecidos, devem ser falados. É tentar ser a ponte que leva a verdade de uns para outros.

A todos os diretores, editores e redatores que já por aqui passaram, o nosso obrigada. Todos eles sabem que é o trabalho em equipa que faz este jornal acontecer e é esse trabalho a base para conseguirmos construir o futuro. Todos eles sabem que, se não fosse o esforço do passado, o nosso presente poderia não ser este. E nós, que carregamos agora esta responsabilidade, sabemos que temos de fazer tudo ao nosso alcance para que A Cabra tenha uma longa vida. A vós, que por cá já passaram, devemo-vos isso.

Que estes 30 anos de história sejam só o princípio da irreverência, criatividade e diversidade pelos quais nos pautamos e que haja sempre alguém que queira fazer da Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra a sua segunda casa. Que este jornalismo universitário, feito de estudantes para estudantes, continue bem vivo e que o Jornal A Cabra nunca perca a sua essência e nunca deixe de ser um poço de incríveis memórias e uma grande casa para quem nele quer habitar.

Por Leonor Garrido e Maria Monteiro

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