Ensino Superior

AAC anuncia estudo sobre emigração jovem dos estudantes da Universidade de Coimbra

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Inquérito vai apurar intenção migratória, área do saber e motivo de emigração. Com base em resultados, DG/AAC tenciona desenvolver propostas e as apresentar em Caderno Reivindicativo para eleições legislativas. Por Sofia Moreira

No dia 23 de janeiro, a Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) anunciou a realização de um estudo a respeito da intenção migratória dos estudantes e recém-diplomados da Universidade de Coimbra (UC). André Ribeiro, vice-presidente do órgão e mestrando da Faculdade de Economia da UC (FEUC), apontou que os “números impactantes” notados pelo Observatório da Emigração e pelos jornais Público e Expresso motivaram o projeto, cuja iniciativa foi dos pelouros da Política Educativa, Política Académica, Política Europeia e Política de Emprego. 

Os dados com os quais a DG/AAC se deparou relacionados à emigração jovem em Portugal verificaram que, na atualidade, o país tem a taxa de emigração “mais elevada da Europa e uma das maiores do mundo”. Além disto, foi apontada uma ampliação da “recessão demográfica nacional” em função da emigração, dado que “70% da população, 800 mil pessoas em números absolutos, a residir no estrangeiro está entre os 15 e 39 anos”, segundo André Ribeiro. O mestrando da FEUC destacou ainda a emigração de 30% da juventude lusitana, no que descreveu como “números assustadores”. 

Face a estas estatísticas, a DG/AAC comprometeu-se a realizar um inquérito a ser disponibilizado para todas as Faculdades da UC, ainda sem previsão para distribuição. De acordo com André Ribeiro, este vai passar por “duas grandes bases”: entender se os estudantes tencionam emigrar e apurar as suas respetivas áreas de estudo, para compreender quais domínios do saber mais carecem de oportunidades no âmbito nacional. O questionário vai também abranger os motivos pelos quais os estudantes desejam emigrar, uma vez que a identificação da falta de condições em Portugal em determinadas áreas é “relevante, porque condiciona as propostas a serem feitas para que a situação seja alterada”. 

De maneira semelhante à Direção-Geral de 2016, presidida por José Dias, o objetivo do mandato atual com a condução deste estudo é “alertar para que os governantes e partidos com assento parlamentar tomem medidas para segurar os jovens estudantes em Portugal”. Com a análise dos resultados do estudo, a DG/AAC tenciona desenvolver propostas de políticas públicas atrativas para os jovens e apresentá-las no Caderno Reivindicativo da AAC para as eleições legislativas, uma vez que as medidas favoráveis à fixação da juventude no país “têm estado em falta nos últimos anos”, na opinião de André Ribeiro. Apesar de considerar “boa” a iniciativa de reembolso da propina, o vice-presidente confessa que “sabe a pouco” e julga necessária uma posição mais firme por parte do governo. 

Em nota aos órgãos de comunicação social, Renato Daniel, presidente da AAC, expressou preocupação frente à realidade social portuguesa, na qual “um em cada três jovens pretende abandonar o país”. Contudo, segundo André Ribeiro, o estudo a ser realizado tenciona compreender este cenário e atribuir à DG/AAC as ferramentas necessárias para o desenvolvimento de soluções, pelo que expressa otimismo: “vai ser muito positivo não só para a Académica, para Coimbra, mas para todo o país”.

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