Cultura

VII Trovador reúne gerações de história e tradição

Marta Tavares

Festival destaca 30 anos do primeiro álbum da FAN-Farra Académica de Coimbra. Do início ao fim, vários grupos do país celebraram música no seio da academia. Por Marta Tavares e Leonor Viegas

Nos dias 8 e 9 de dezembro teve lugar o VII Trovador – Festival Internacional de Tunas dinamizado pela FAN-Farra Académica de Coimbra. O evento iniciou-se com a Noite de Serenatas pelas 22h, no Colégio de Jesus, e contou com a participação de ritmos e vozes de várias regiões de Portugal. Apresentaram-se a concurso a Tunadão 1998 – Tuna do Instituto Politécnico de Viseu, a TMUC – Tuna de Medicina da Universidade de Coimbra (UC), a T.U.S.A. – Tuna Universitas Scientiarum Agrariarum e a TUCP – Tuna da Universidade Católica Portuguesa do Porto. Estiveram ainda presentes ‘As FANS – Tuna Feminina da UC, as Mondeguinas e o Grupo Académico Seistetos, que partilharam o seu reportório enquanto grupos convidados.

No dia seguinte, o público foi convidado a assistir à Noite de Espetáculos no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV). As luzes do espaço apagaram-se às 20h30 para dar entrada aos Pardalitos do Mondego, grupo extra-concurso surgido em 1992 como extensão dos FANs (Falange de Apoio Negro). Composto por alguns fundadores da FAN-Farra Académica de Coimbra, iniciou a sua atuação com o original “Viagem de Acaso”, seguido de “Asas do Amor”, música que integra o segundo disco do coletivo anfitrião.

Por Leonor Viegas

O desenrolar do concurso

O segundo grupo a pisar o palco do TAGV foi a TMUC – Tuna de Medicina da UC, em concurso, que deu a conhecer vários dos seus originais. “Voltar Atrás” foi o solo de abertura, seguido de “Coimbra dos Amores” e do instrumental “Às Vezes”, acompanhado pelo estalar de dedos e abanar das cabeças dos seus integrantes. Em dedicação à Associação Académica de Coimbra – Organismo Autónomo de Futebol, a tuna introduziu a canção “Briosa” com uma performance que fez dançar as suas capas negras. Numa nova coreografia, as pandeiretas rodearam o abanar do estandarte para animar o tema “Canção de Estudante” e, para fechar, o grupo solou o tema “Voar”, que recebeu fortes aplausos do público.

Por Leonor Viegas

De seguida foi a vez da TUCP –  Tuna da Universidade Católica Portuguesa do Porto partilhar o seu reportório. Proveniente da cidade Invicta, o grupo apresentou uma encenação por parte dos “padrecos”, seus membros mais recentes, à procura do seu maestro, numa crítica à CP – Comboios de Portugal, serviço que os trouxe a Coimbra. “Candeias de Saudade” foi o primeiro tema apresentado, seguido de uma adaptação da música “Maria”, do cantor Bezegol.

Para o solo “Margarida” os “padrecos” lançaram flores artificiais, em alusão ao nome, para o público que, momentos depois, viu o maestro entrar em palco. De peruca branca e pandeireta na mão, este convidou um membro da plateia a juntar-se à tuna em palco, dançando e guiando a sua atuação. No fim da performance, a TUCP entoou uma adaptação da música “Sorri, Sou Rei” dos Natiruts, interpretada ao som do carrom, dos bandolins e das guitarras.

Com o desenrolar do serão, houve espaço para momentos de brincadeira e interação com o público por parte dos apresentadores, membros do grupo anfitrião, antes da atuação dos “velhos da FAN-Farra Académica de Coimbra”, constituído por fundadores e antigos integrantes. Estes gravaram o primeiro vinil de originais em Portugal, em 1993, intitulado “Trovador”, dando nome ao festival que, 30 anos depois, o homenageia na sua VII edição. Deste modo, num recordar de outros tempos, foram apresentados vários originais do álbum, entre eles “Lenda Encantada”.

Num momento surpresa, e para fechar a atuação, o grupo apresentou pela primeira vez o tema “Somos Imortais”, dedicado “aos que partiram e aos que não conseguiram estar” presentes, convidando o público a iluminar o TAGV com as lanternas do telemóvel. Assim, num reencontro entre gerações, juntaram-se em palco todos os membros da FAN-Farra Académica de Coimbra.

Por Marta Tavares

Entre atuações, o apresentador “Chimão”, membro do grupo anfitrião, aproveitou a deixa para mencionar a luta académica perante alguns problemas que, a seu ver, ainda se mantêm na AAC. Após esta interrupção, a Tuna Universitas Scientiarum Agrariarum deu entrada em palco. Com o lema “A T.U.S.A. é loucura”, o grupo terceirense apresentou o seu repertório composto apenas por originais, começando com o solo “Saudade Sem Fim”.

De seguida, foi entoado o tema “Cidade de Estudante” em homenagem à terra onde estes jovens estudam e vivem, Angra do Heroísmo. A performance contou com três estudantes em forma de pirâmide: dois estandartes na base e um pandeireta no topo. Através das melodias dos bandolins e das guitarras, foi apresentado o seu instrumental “Por Entre as Brumas”. A tuna dedicou, ainda, a música “Despedida” a todos os que passaram pela sua faculdade. Durante esta atuação, os estandartes levavam rosas na boca, posteriormente lançadas à plateia. Para fechar a atuação, o grupo apresentou o tema “Cowboy da Meia-Noite”, escrito pelos seus fundadores e considerado o seu hino.

Por fim, entrou em palco a Tunadão 1998 – Tuna do Instituto Politécnico de Viseu, que pontuou a sua performance com chapéus negros e redondos e, ainda, com alguns cartazes. Para se apresentarem, os integrantes colocaram máscaras e viraram para o público as costas dos seus casacos, onde se lia a palavra “TUNADÃO”. Os estudantes cantaram o medley “Estudante de Viseu” e interpretaram a adaptação do tema “Libertango”, de Astor Piazzolla, acompanhada por uma coreografia inspirada no estilo musical e de dança latina. Apresentaram, ainda, o tema “Balada do Padeiro” e, para finalizar, a música “Caravelas e Menina de Saia Preta”.

Por Marta Tavares

O encerrar do espetáculo

O VII Trovador não terminou sem receber a FAN-Farra Académica de Coimbra que, mais uma vez, se fez acompanhar das restantes gerações. Assim, fez uso da flauta de bisel, do saxofone e do teclado para interpretar alguns temas do seu reportório, como “Capas Negras”, “Naquela Janela e “Mondego”. Após este momento, alguns membros do público levantaram-se e dançaram ao som das melodias do grupo.

No desfecho do festival, procedeu-se à entrega de prémios às várias tunas em concurso: o prémio de Melhor Serenata e de Melhor Original foi atribuído à TMUC, pelo que a TUCP conquistou o de Melhor Estandarte, assim como o de Melhor Tuna e o de Melhor Solista. O título de “Tuna mais Tuna”, bem como o de Melhor Pandeireta foram atribuídos à Tunadão 1998 e, ainda, a T.U.S.A. foi destacada com o Melhor Instrumental. O evento acabou perto das 00h45 e a plateia foi convidada a juntar-se aos vários grupos num convívio noite adentro realizado nos Jardins da AAC.

Por Marta Tavares

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