Ciência & Tecnologia

Prémio de Inovação J. Norberto Pires vai para investigadoras da FFUC

Fotografia cedida por Rui Marques Simões

Conjunto de modelos matemáticos pode revolucionar tratamento de doentes de epilepsia. Investigadora acredita que projeto premiado cria “uma estrada aberta” para melhor doseamento de outros medicamentos. Por Bruna Fontaine e Solange Francisco

No dia 5 de dezembro, a Universidade de Coimbra (UC) atribuiu o Prémio de Inovação J. Norberto Pires às docentes Ana Fortuna e Joana Bicker da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC). O projeto ‘PkXplorer®Epi’ das duas investigadoras do ‘Coimbra Institute for Biomedical Imaging and Translational Research’ (CIBIT) visa “determinar a dose de tratamento adequada para cada doente com epilepsia”, explica Ana Fortuna.

O projeto ‘PkXplorer®Epi’ é um conjunto de modelos matemáticos que relaciona as características do doente, desde o peso, a altura, ou a idade, com as características da medicação tomada pelo paciente e da própria doença. Com os resultados derivados destas equações, os médicos e farmacêuticos vão conseguir definir a dose do medicamento que deve ser administrada no organismo de cada indivíduo. “São técnicas analíticas desenvolvidas para quantificar o fármaco, através das concentrações no sangue e na saliva”, clarifica Ana Fortuna. 

O desafio lançado pela equipa clínica do Centro de Referência de Epilepsia Refratária do Centro Hospitalar da UC (CHUC) tem como objetivo facilitar o tratamento destes doentes “que não respondem à medicação, ou seja, são fármaco-resistentes”, revela a investigadora. Ana Fortuna esclarece que a razão para terem aceite esta proposta passou por já trabalharem nesta área desde 2006, mas realça que “30 a 40 por cento dos doentes não responderem à medicação para essa patologia é a prova de que algo precisa de ser melhorado”.

A base de dados trabalha em sintonia com o profissional, que também tem um papel preponderante na análise do paciente. A investigadora da FFUC sublinha que o diagnóstico médico garante que o medicamento seja “suficiente durante o tempo necessário no organismo para exercer o seu efeito”.

Para Ana Fortuna o que distingue o seu projeto dos restantes é “ter sido aplicado a um conjunto de doentes e pautar-se na mitigação das limitações que os clínicos encontram no seu dia a dia”. O potencial traduzido pela execução prática do trabalho desenvolvido pelas docentes, reflete-se no prémio que vem abrir portas para o futuro de projetos semelhantes. A reformulação da base de dados para outro tipo de medicamentos, é uma possibilidade que a investigadora considera, “cria-se uma estrada aberta para poder progredir para outras medicações”.

A investigadora realça, também, o desejo de transformar o trabalho desenvolvido numa “plataforma informática, ao qual o médico ou farmacêutico, pudessem ter acesso mais rápido”. Além das possibilidades futuras, destaca a importância de todos por trás do projeto, desde “estudantes de doutoramento e de mestrado à própria equipa clínica do CHUC”. Ana Fortuna finaliza com o lembrete de que  “este prémio é de todos os que tornaram o projeto possível, sendo um privilégio recebê-lo”.

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