Cultura

Guerra na Palestina e Revolução de Abril: ciclo de filmes expõe a realidade no Médio-Oriente

Raquel Lucas

Comemorações Populares dos 50 anos do 25 de Abril transmitem mostra de cinema palestiniano. Paralelismo entre Revolução dos Cravos e guerra na Faixa de Gaza é apontado por membro da Comissão Executiva. Por Pedro Cruz e Afonso de Vasconcelos

Em parceria com o Instituto Palestiniano do Cinema, as Comemorações Populares dos 50 anos do 25 de Abril do Ateneu de Coimbra realizam o evento ‘Unprovoked Narratives’, que tem como objetivo compartilhar a realidade vivida na Faixa de Gaza, através de filmes de curta e longa-metragem. Alfredo Campos, membro da Comissão Executiva das Comemorações, explica que o nome do ciclo foi construído, na sua íntegra, pelo próprio Instituto Palestiniano do Cinema.  Refere também que a mostra acontece desde outubro, com projeções noutras cidades e países. Completa ao dizer que, com exceção de um filme que não tinha “qualidade para ser transmitido”, a organização optou por manter o ciclo completo. As obras cinematográficas vão ser exibidas entre os dias 5 e 21 de dezembro.

O evento visa “alertar a população sobre a situação vivida pelos palestinianos”, esclarece Alfredo Campos. Considera ainda que “é uma forma, seja cultural ou política, de dar a conhecer a realidade da vida e sociedade de Gaza”. Este ciclo vai exibir dez filmes em sete sessões, sendo o primeiro o mais antigo (1985) e o último o mais recente (2022). Contudo, Alfredo Campos explica que “não é necessário que o espectador vá a todos os filmes”, uma vez que não há uma ligação cronológica entre as películas. Salienta que a organização dos filmes foi feita por Sérgio Dias Branco, professor auxiliar de Estudos Fílmicos na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e que, portanto, “é mais temática do que qualquer outra coisa”.

O membro relata que o Instituto Palestiniano do Cinema “manifestou muita satisfação que o ciclo fosse incluído” nas comemorações da Revolução dos Cravos. Acrescenta que as questões do 25 de Abril podem trazer atenção para o confronto da Palestina, visto que quem se interessa pelas motivações do momento histórico português pode querer adquirir conhecimento sobre a causa palestiniana.

Alfredo Campos acredita que a guerra na Faixa de Gaza está ligada à revolução. “O 25 de Abril nasce de questões coloniais, semelhante ao que se passa na Palestina”, assevera. A seu ver “todos os humanos têm o direito a viver em paz, a sonhar com o futuro e a ter o seu país”. Para o membro a mostra de filmes pode levar o espectador a refletir sobre os seus direitos individuais.

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