Ensino Superior

Estudantes da FDUC manifestam-se contra fim de orais de passagem

Rádio Universidade de Coimbra

Potencial agravamento das taxas de reprovação preocupa comunidade estudantil. Diretor da faculdade acredita que medida pode melhorar “eficiência formativa” dos alunos. Por Maria Silvia Lima e Liliana Martins

No passado dia 5 de dezembro, estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC) posicionaram-se contra o término das provas orais de passagem numa manifestação. Promovido pelo Núcleo de Estudantes de Direito da Associação Académica de Coimbra (NED/AAC), o protesto, que partiu da Porta Férrea em direção ao Colégio da Trindade, marcou o 187º aniversário de faculdade e reuniu cerca de 300 estudantes de vários outros departamentos da UC.

A proposta contestada pelos estudantes visa uma alteração ao regulamento da Licenciatura de Direito, que prevê o fim das orais de passagem enquanto método avaliativo durante a época normal de exames. Os manifestantes temem que a medida ponha em causa a aprovação às unidades curriculares e, por consequência, o sucesso dos seus percursos académicos. “Esta proposta é um ataque àqueles que são considerados os pilares da faculdade, como a pedagogia e o bem estar do estudante”, aponta o presidente do NED/AAC, Francisco Dinis.

As elevadas taxas de reprovação e de abandono do curso são algumas das preocupações que a comunidade estudantil considera que podem ser agravadas se a proposta for aprovada. Francisco Dinis garante que “não é fácil” para os alunos concluírem unidades curriculares nas quais as taxas de chumbo rondam os 80 por cento. Assim, o presidente do NED/AAC acredita que a manutenção das provas orais permite preservar a “previsibilidade e estabilidade pedagógicas”.

Já o diretor da FDUC, Jónatas Machado, entende que a medida pode funcionar como uma forma de “aligeirar o sistema avaliativo” no sentido de o tornar “mais razoável”. Na atualidade, o sistema de avaliação vigente propicia sobreposições entre exames pendentes e o período seguinte de aulas, ou seja, existe um conflito entre as provas do semestre anterior e as aulas do seguinte. Segundo o diretor, que acredita que essa incompatibilidade contribui para uma “fraca eficiência formativa”, é isso que a medida pretende combater.

Se for aprovada, a medida vai entrar em vigor no ano letivo de 2024/2025, incidindo somente sobre os alunos que ingressarem no curso a partir desse ano. Assim, Jónatas Machado sublinha que a proposta, que vai ser avaliada numa Assembleia eleita a 15 de dezembro, não vai afetar nenhum dos manifestantes. No entanto, Francisco Dinis considera-a igualmente negativa para o corpo estudantil: “acreditamos que esta medida é prejudicial, seja para nós seja para os estudantes que venham no futuro.”

O dia foi marcado não apenas pela manifestação, mas também pelo aniversário de 187 anos da FDUC. Nesse sentido, Francisco Dinis revela que a escolha desta data para a realização do protesto foi intencional. “As comemorações dos 187 anos da nossa faculdade existem porque estudantes continuam a ingressá-la e a fazer dela o que ela é hoje”, conclui.

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