Ensino Superior

Coimbra pela Palestina conquista apoio para realização de AM

Guilherme Borges

Movimento luta por “Académica empática e humana” que condene genocídio. Demora da AAC para tomar posição é criticada. Por Guilherme Borges

No dia 4 de dezembro, o movimento Coimbra pela Palestina entregou na Associação Académica de Coimbra (AAC) uma petição para realizar uma Assembleia Magna (AM). Contando com mais de 1400 assinaturas, o objetivo é criar um espaço em que os estudantes possam discutir a situação no Médio Oriente. De acordo com o ponto 1º do artigo 27º dos Estatutos da AAC, a “AM pode ser convocada por proposta de 5% dos Associados Efetivos”, algo que não acontece há vários anos.

Durante a semana, o movimento Coimbra pela Palestina esteve presente nas faculdades e nas cantinas da Universidade de Coimbra (UC). O objetivo foi falar à comunidade estudantil sobre a importância de se consciencializar acerca do “genocídio em curso na Faixa de Gaza perpetuado pelas incursões israelitas”. Joana Coelho, aluna de Biologia e membro do movimento, lembra a reação de um dos estudantes abordados: “finalmente alguém está a fazer alguma coisa”.

Já Mariana Costa, mestranda de Psicologia Forense e integrante do Coimbra pela Palestina, reforça a “responsabilidade” da AAC em relação aos direitos humanos. Acrescenta ainda que esta deve “usar a sua voz para dizer ao mundo que os palestinianos não serão abandonados”. A universitária declara ainda que “os acontecimentos no Médio Oriente não devem deixar a AAC nem os seus associados indiferentes”.

Além disso, Joana Carvalho, mestranda de Relações Internacionais e participante no movimento, cita que, conforme o ponto 5º do artigo 27º dos Estatutos da AAC, a convocação da AM deve ser feita nos próximos dez dias. A seu ver, o primeiro ponto em AM vai ser “debater o tema e perceber como a comunidade estudantil se sente em relação ao que está a acontecer”. Numa segunda instância, espera “uma tomada de posição baseada na condenação dos ataques aos palestinianos”, lembrando ainda os 625 mil estudantes impedidos de exercer o direito da educação.

O Coimbra pela Palestina ressalta o apelo da Universidade de Birzeit, na Cisjordânia, à comunidade académica internacional, aos sindicatos e aos estudantes, para que “cumpram o seu dever intelectual e académico de prezar pela verdade”. Relembra também os pedidos para que “mantenham uma distância crítica da propaganda financiada pelo Estado” e “que responsabilizem os perpetuadores e os cúmplices do genocídio”.

De acordo com os representantes do movimento, como não havia uma “mobilização forte” por parte da Académica, decidiram fazer sozinhos a recolha de assinaturas. Prestes a tomar posse uma nova Direção-Geral e uma nova Mesa da Assembleia Magna da AAC, esperam “uma Académica empática, de causas, humana e que se importe com o outro”. Almejam também que esta situação “abra precedentes para discutir mais causas humanitárias” em AM.

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