Ciência & Tecnologia

Cientistas da UC identificam estratégias do cérebro no reconhecimento de objetos

Cedida por Catarina Ribeiro

Criar literacia científica é um dos objetivos da equipa. Projeto é financiado pelo Conselho Europeu de Investigação. Por Jéssica Soares

Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Coimbra (UC) revelou que o cérebro humano utiliza estratégias específicas para reconhecer e organizar objetos. Publicado na revista ‘Communications Biology’, o estudo contou com 400 participantes, com idades compreendidas entre os 18 e 41 anos, submetidos a tarefas comportamentais e a uma ressonância magnética funcional. A equipa de investigadores foi liderada por Jorge Almeida, professor associado da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UC.

Com o estudo foi possível compreender que o cérebro utiliza múltiplas dimensões para conhecer um objeto, como a forma de o agarrar, a sua função e as suas caraterísticas visuais. “Vários aspetos são importantes para codificar um objeto: se este é alongado ou não, se tem partes de metal ou outro material, se é grande ou pequeno”, são alguns dos exemplos mencionados por Jorge Almeida.

O professor explica que esta organização multidimensional é exequível devido à ação do espaço mental, o que permite o reconhecimento humano dos objetos, que é feito de forma rápida e estruturada. Para esta conclusão, foi fundamental o uso da ressonância magnética, na qual as imagens foram apresentadas aos participantes, que faziam as comparações entre os instrumentos seguindo critérios de codificação, de forma natural. Este processo influencia “o modo como as pessoas pensam e organizam informação”, declara.

O estudo ‘Neural and Behavioral Signatures of the Multidimensionality of Manipulable Object Processing’, integrado no projeto científico ContentMAP, surgiu no âmbito de uma bolsa europeia do Conselho Europeu de Investigação (CEI). Esta foi a primeira pesquisa portuguesa na área da psicologia a alcançar o financiamento do CEI. “É muito complicado obter este apoio, há que fazer um projeto muito arriscado”, salienta Jorge Almeida. Acrescenta que “está tudo a resultar e, se correr bem, vai modificar em larga escala o modo como é encarado o processamento de informação pelo cérebro”.

Quanto à natureza internacional da sua equipa, o ProAction Lab, o docente refere que os seus trabalhos investigativos possuem sempre esta característica. Assim, reforça que “a ciência não tem fronteiras”. Contudo, valoriza mais a relevância científica do que a nacionalidade dos membros da equipa. Um dos grandes objetivos do grupo de pesquisa é “criar literacia científica”, ao reforçar que se deve “perseguir a ciência no nosso mundo”, seja qual for a naturalidade ou atividade profissional do público.

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