Ensino Superior

AAC e UC unidas na gestão da Cantina dos Grelhados

Iris Jesus

Chapa implementada em janeiro tem já projeto para remoção. Memorando assinado pela AAC e UC “prioriza os direitos da Casa”, aponta João Caseiro. Por Iris Jesus

No passado dia 6 de dezembro, a Associação Académica de Coimbra (AAC) uniu-se à Universidade de Coimbra (UC) na assinatura de um memorando para a gestão partilhada da Cantina dos Grelhados. A formalização deste contrato deveu-se à inserção de uma chapa de divisão do espaço pela UC em janeiro deste ano, ação contestada pelos membros da Direção-Geral da AAC (DG/AAC). Depois de um ano de conversas entre a instituição e o órgão da Casa, o comunicado responde às reivindicações dos estudantes ao garantir a remoção da divisória e a criação de uma Comissão de Gestão com paridade entre as partes.

O presidente da DG/AAC, João Caseiro, refere que “a chapa foi colocada sem o consentimento da AAC” e, até 19 de junho, no evento de celebração dos 10 anos da UC, Alta e Sofia como Património Mundial da UNESCO, as duas entidades ainda não tinham dialogado. Nesta cerimónia, os membros dirigentes da Casa intervieram “do lado de lá” da divisória para “levar todos os presentes a olhar para a monstruosidade que separava o espaço”, informa João Caseiro. A partir desse momento, o documento de entendimento foi elaborado, debatido entre as duas partes e dado a conhecer em Assembleia de Secções Culturais, bem como ao Conselho Cultural da AAC e aos serviços jurídicos da UC.

De acordo com João Caseiro, o memorando foi “escrito de forma propositada em defesa da AAC” e tem como objetivo a criação de uma Comissão de Gestão. Esta vai ser responsável pela administração do espaço, de modo a assegurar a sua preservação, a programação cultural e a defesa dos interesses da Casa perante a Universidade. Os representantes que vão integrar este órgão ainda não foram definidos. No entanto, João Caseiro assegura que “os lugares vão ser atribuídos ao reitor e vice-reitores da UC, ao presidente e ao administrador da DG/AAC”, que podem nomear alguém para os representar posteriormente.

Com a assinatura deste documento, as atividades culturais e os ensaios das secções devem regressar, assim como a organização de Assembleias Magnas. O dirigente realça a “dificuldade de adaptação” das secções e da DG/AAC à inatividade do espaço, que era palco de diversos projetos organizados pela Casa. Neste sentido, em primeiro lugar, é esperado que se inicie uma limpeza e requalificação da cantina para o livre usufruto das partes visadas. João Caseiro não descarta a possibilidade de se organizarem projetos de outras entidades, no entanto, “estas devem ser compatíveis com as utilizações da academia, que são prioritárias”.

No que diz respeito à remoção da chapa, o presidente atesta que “a DG/AAC não se opõe à divisão do espaço, desde que seja amovível” e concorda com a possibilidade de esta medida se manter durante o período de limpeza do lado mais danificado da cantina. O caráter deslocável das estruturas da Cantina dos Grelhados é, ainda, destacado, pois “é importante que o edifício seja capaz de receber várias estruturas em simultâneo, bem como tipos distintos de atividades”. Contudo, a implementação destas medidas vai depender da próxima DG/AAC, encabeçada pelo atual vice-presidente para a Cultura, Renato Daniel, que, na visão de João Caseiro, “está totalmente capacitado para continuar o trabalho”.

De acordo com o dirigente da Casa, o memorando é um documento que “prioriza os direitos da AAC”. Deste modo, nele não consta o envolvimento do Teatro Académico de Gil Vicente, alvo de reivindicações dos estudantes pelo seu interesse no uso do espaço para atividades culturais. No que diz respeito a este assunto, João Caseiro reforça que a Cantina dos Grelhados deve ser “mais do que um centro cultural da academia, um centro cultural dos estudantes”, capaz de os servir e às suas estruturas.

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