Cultura

A tradição popular ao ritmo de “Cordas Soltas” 

Liliana Martins

41 anos do Grupo de Cordas da SF/AAC como motivo de celebração da música tradicional portuguesa. Espetáculo no TAGV junta grupos de referência da academia e da cidade de etnografia e musicologia popular. Por Ana Filipa Paz

No passado dia 6 de dezembro, o Grupo de Cordas da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra (SF/AAC) convidou a academia a embarcar numa viagem pela música tradicional portuguesa, no Teatro Académico de Gil Vicente, para celebrar os 41 anos do grupo. As bandas Colmeia e Brigada Victor Jara e a Orquestra Típica e Rancho da SF/AAC, coletivos que cresceram no seio da academia e que trabalham o folclore e a etnografia, juntaram-se ao Grupo de Codas em palco para a celebração do aniversário. Guilherme Ala, membro do Grupo de Cordas, deixa um agradecimento especial aos cordistas fundadores do grupo, ao encenador do espetáculo, João Paulo Janicas, aos grupos convidados, “unidos pelo património que tanto admiram”, e ao público, pela continua valorização da tradição popular. 

“A musica tradicional portuguesa é uma junção das nossas diferentes experiências, vindos de todo o lado do país e também de fora de Portugal”, regista Guilherme Ala. Foi assim que o espetáculo percorreu as regiões Minho, Trás-os-Montes, Beiras, Ilhas e Algarve, terminando no Alentejo, “rosto da serenidade” (“Canção para o Alentejo”, de Miguel Torga). A atuação serviu-se ainda de vídeos do arquivo de Manuel Rocha, membro da Brigada Victor Jara, alusivos às diferentes manifestações artísticas populares. Durante o espetáculo, intercalando com as atuações, também Rui Damasceno declamou poemas inspirados nas diferentes regiões mencionadas. 

O Grupo de Cordas da SF/AAC abriu o espetáculo com diferentes músicas do seu repertório de música tradicional, acompanhados por Manuel Rocha no violino. De seguida, a banda Colmeia junta-se a palco para tocar o tema “Marião”, em conjunto com o grupo da SF/AAC. Já sozinhos em palco, um dos músicos da Colmeia entra em cena com a bandeira da Palestina presa na gaita de foles, fazendo referência ao conflito corrente na faixa de Gaza. A plateia recebeu este alerta humanitário com um grande aplauso e exclamações que faziam ouvir a expressão “Palestina Livre” por todo o teatro académico. Para terminar a passagem pela região do Minho, ouviu-se ainda o tema “O Lilaré com os cinco sentidos”. 

Para continuar a viagem, o Grupo de Cordas regressa ao palco, ao qual se junta, mais tarde, a Orquestra Típica e Rancho e a Brigada Victor Jara para dançar e cantar, na voz de Catarina Moura, os emblemáticos temas “Encadeia” e “Vira de Coimbra”. Rui Damasceno volta a entrar em cena, para declamar o poema “Rede de mãos”, de Ricardo Grácio. Com o som do mar a servir de introdução à nova região, a Brigada Victor Jara presenteia a plateia com os temas dos Açores “Rema” e “É esta a vez primeira”. Chegados ao Aletenjo, a Colmeia volta a juntar-se a palco para, todos juntos, cantarem a música tradicional “Ó meu menino jesus”. 

Michel Giacometti, etnógrafo de referência no estudo da música tradicional portuguesa e coletor de grande parte das pesquisas e do espólio utilizado no espetáculo, foi também um nome destacado pelo grupo anfitrião. O trabalho de Giacometti serviu, ainda, de base ao trabalho realizado pelo Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC), do qual emergiram dois dos grupos convidados a integrar o Cordas Soltas: a Colmeia e a Brigada Victor Jara. 

O espetáculo termina com a entrega de recordações aos grupos convidados e a apresentação dos membros do Grupo de Cordas. Volta-se a ouvir o grupo anfitrião, com todos os artistas em palco, numa celebração festiva dos 41 anos do grupo, da música tradicional e da admiração pelo trabalho dos quatro coletivos da Casa.

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