Cultura

Os vários papéis de Frida Kahlo

Cedida por Luís Marujo

Teatrão e ACERT assinalam nova parceria para retratar vida e obra da artista. Peça representa temas como emancipação feminina e estereótipos para reflexão do público. Por Salete Bernardino e Francisca Costa

A peça “Frida Kahlo, a Filha da Grande Manhã”, encenada por José Rui Martins, membro da Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT), é assinada a duas mãos em conjunto com Nuno Cash, escritor e jornalista. Cinco atores assumem papéis da vida de Frida Kahlo ao som de Ariana Neves, numa parceria com o Teatrão, que vai ter lugar na Oficina Municipal do Teatro. A ligação de ambas as companhias, segundo José Rui Martins, “é de uma longa duração artística e afetuosa, é um espaço de partilha”. Resulta, ainda, de uma reflexão conjunta, quase contínua, e assume a importância do percurso das duas associações. 

A ideia para a peça em torno da personalidade de Frida surge com o objetivo de “fazer um espetáculo sobre o feminino”, manifesta o encenador. A vida “riquíssima” da artista “proporciona ao público uma grande afinidade” para com a sua história. Enquanto mulher foi artista, lutadora e “comprometida com o seu tempo”, exalta José Rui Martins. Esta caracterização teve por base a pesquisa de vários documentos, cartas e obras, como a de Caroline Bernarde, autora de “Frida e as Cores da Vida”. Devido à sua personalidade e “figura exótica”, pretende-se “desmistificar este ícone” e criar no público a vontade de explorar a personagem além da que o teatro caracteriza. 

José Rui Martins assume a complexidade da vida da artista na peça que aborda “temas controversos” que expõem a fragilidade humana. Em contrapartida, enfatiza “a força, o espírito lutador e o caráter de insubmissão que contrariam o seu tempo”. Ainda, o Teatrão leva a palco a “importância de uma emancipação sem estereótipos e preconceitos”, pelo que a peça “mantém a representação fiel aos testemunhos da sua época”. O encenador destaca a autenticidade de Frida Kahlo pela capacidade de resistência que manteve perante grandes cânones artísticos e morais e como, desta forma, se tornou a “mola impulsionadora” desta narrativa teatral.

O caráter de “anti-heroína” marcado pelos momentos que enfrenta e pelas “contradições que vivenciou”, nas quais, de certo modo, “o público se espelha”, pretende “deslumbrar” os espectadores, explica o membro da ACERT. Desta forma, o teatro não assume um papel “manipulador”, pelo contrário, vê o público como “o sujeito maior que tem liberdade para analisar e decodificar cada momento”, clarifica. A partilha de felicidade entre o público e os atores é, para José Rui Martins, a sua grande ambição. Tenciona, deste modo, que surja como motivação para uma “casa cheia”.

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