Ciência & Tecnologia

Física para todos nos 15 anos do Rómulo Centro de Ciência Viva da UC

Francisca Costa

Investigadora ressalta que Portugal está perto de desenvolver tecnologias para estudo de observação de ondas gravitacionais. Mesa-redonda originou discussão sobre excesso de satélites lançados para órbita terrestre. Por Francisca Costa

A exposição “Viagem pelo Universo Escuro” teve como ponto de partida o Departamento de Física da Universidade de Coimbra (UC) que, dia 23 de novembro, foi casa para o 15.º aniversário do Rómulo Centro de Ciência Viva da instituição. No seguimento desta celebração realizou-se uma “mesa-redonda” com a participação de Sonia Antón e Violetta Sagun, investigadoras do Centro de Física da UC (CFisUC), Miguel Zilhão, investigador da Universidade de Aveiro, e João Rosa, professor associado na UC.

A conversa abordou temas que abrangeram desde a radioastronomia (estudo dos fenómenos associados às radiações dos corpos celestes) e as ondas gravitacionais, até à explicitação daquilo que se entende por matéria negra e buracos negros. Sonia Antón elucidou o público de que os estudos sobre as ondas gravitacionais são contínuos e de longa data, no entanto, a radioastronomia assume, na atualidade, o papel de uma nova janela para o conhecimento do Universo.

A investigadora do CFisUC comparou a tecnologia atual, que possibilita a observação de ondas gravitacionais, à luneta que Galileu usava. Contudo, afirmou que o desenvolvimento está próximo e dá o exemplo de Portugal que, pela primeira vez, é fundador de um projeto relacionado à construção do maior radiotelescópio do mundo – o SKA. Tem por objetivo detetar hidrogénio para que, assim, seja possível perceber como se distribui a matéria escura.

João Rosa justificou, de antemão, que a utilização de “escuro”, na Física, serve para ilustrar aquilo que ainda não se conhece na íntegra. Completou com uma explicação sobre a subordinação deste tipo de fenómenos a vários modelos de tentativas experimentais, para o seu entendimento total. No entanto, admitiu que ainda faltam evidências, além da informação que a física já conhece de forma empírica.

O público, composto por um variado leque de faixas etárias, teve a oportunidade de se manifestar em relação a dúvidas e interesses pessoais sobre o tema. Destas intervenções chegou-se ao tópico das consequências do excesso de satélites lançados para a órbita da Terra. A formação de lixo espacial, bem como os incidentes que possam ocorrer pela proximidade da faixa de circulação dos satélites entre si, foram dois temas estruturantes. Sonia Antón apresentou como exemplo o projeto de Elon Musk, de enviar 50 mil satélites, e defendeu que o correto será “minimizar e não proibir”.

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