Ciência & Tecnologia

CHUC põe em prática novo tratamento de patologias cardíacas

Cedida por Salomé Marques

Método incidiu sobre quatro indivíduos entre 20 e 40 anos. Manuel Santos, assistente hospitalar, garante melhorias no funcionamento do coração, ao prevenir que pacientes entrem em insuficiência cardíaca. Por Bruna Fontaine e Iris Jesus

O Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra (CHUC) é o primeiro a nível nacional a realizar uma série de quatro intervenções valvulares pulmonares. O procedimento pretende facilitar o tratamento de pacientes com cardiopatias congénitas, ou seja, patologias cardíacas que nascem com o indivíduo. Este passa pela implementação de uma válvula “através da virilha, sem incisões e de uma forma pouco invasiva”, explica Manuel Santos, assistente hospitalar do Serviço de Cardiologia da instituição.

Os doentes em foco neste tratamento nascem com um defeito ou obstrução no funcionamento do coração. Até agora, os pacientes eram alvo, desde cedo, de uma correção cirúrgica tradicional, que não eliminava a execução posterior de “cirurgias repetidas para remendar a válvula pulmonar”, esclarece Manuel Santos. Este novo procedimento parte da inserção de “ uma válvula biológica, sem necessidade de abrir o coração”, desmistifica o assistente hospitalar.

Este processo interveio em quatro doentes entre os 20 e os 40 anos, com identificação e acompanhamento prévio da cardiopatia. Até então, a zona de aplicação da prótese valvular apresentava dimensões maiores que as dos instrumentos disponíveis no mercado português. Neste sentido, o novo método “apresenta a vantagem de se adaptar” ao tamanho das áreas de intervenção, informa Manuel Santos.

A preparação dos doentes passa por “conhecer a sua anatomia e fazer um exame cardíaco”, de modo a perceber se o paciente está apto a receber a válvula. “Os resultados obtidos são positivos e, na maioria dos casos, o paciente tem alta no dia seguinte”, assegura o assistente. “Este processo vai melhorar o funcionamento do coração do indivíduo, ao prevenir que entre em insuficiência cardíaca”, declara.

Segundo Manuel Santos, o CHUC realizou estas intervenções devido às “várias especialidades e condições” que o permitem. Os procedimentos contaram com a colaboração do Serviço de Cardiologia Pediátrica do hospital para o acompanhamento de crianças, e com o Serviço de Cirurgia Cardíaca. As intervenções valvulares pulmonares operam-se numa sala híbrida, onde também se executam operações convencionais. Esta característica do espaço possibilita a transição do tipo de cirurgia, caso se verifiquem complicações na intervenção minimamente invasiva.

Este tratamento cirúrgico chegou a Portugal quando a equipa médica do CHUC identificou a válvula transplantária já implementada em hospitais europeus. De acordo com Manuel Santos, os médicos “entraram em contacto com a empresa que produz estes dispositivos”, e revelaram interesse em fazer o tratamento de doentes portugueses. Neste sentido, iniciou-se um projeto de treino, com a colaboração de um especialista externo que veio a Coimbra “para ajudar durante os primeiros procedimentos”, esclarece o assistente.

Sobre a expansão deste tratamento para o resto da comunidade, o cardiologista assegura que “como já existe uma solução técnica para esta patologia, os tempos de espera dos doentes vão reduzir”. O médico realça que os pacientes ainda temem estas cirurgias, algo que, pela natureza da intervenção, espera que não se mantenha. Os indivíduos que optem por este procedimento “vão estar menos suscetíveis ao sofrimento adjacente das cirurgias convencionais”, garante Manuel Santos.

To Top