Ensino Superior

103 anos desde que os estudantes saíram à rua por uma nova AAC

Solange Francisco

Problemas que levaram à Tomada da Bastilha de 1920 mantêm-se até aos dias de hoje. Segundo João Caseiro, recriação serve para “elucidar a comunidade estudantil” sobre momento histórico. Por Solange Francisco e Inês Reis

Na madrugada de 25 de novembro de 1920, 40 estudantes tomaram de assalto o Colégio de São Paulo Eremita com o objetivo de o tornar a sede da Associação Académica de Coimbra (AAC). Amanhã, 24 de novembro, comemoram-se os 103 anos deste acontecimento, que ficou conhecido como Tomada da Bastilha.

O grupo de antigos estudantes, autointitulados “conjurados”, invadiu o espaço ocupado pelo “Clube dos Lentes”, um grupo de professores da Universidade de Coimbra. Esta revolta foi fruto não só do descontentamento com a falta de condições do edifício que sediava a AAC, mas também devido às sucessivas promessas de resolução, por parte de uma Reitoria que não apresentava resultados.

Todos os anos, esta data é celebrada com uma recriação do caminho feito pelos estudantes na Tomada da Bastilha de 1920. Em entrevista ao Jornal A CABRA, o atual presidente da Direção-Geral da AAC (DG/AAC), João Caseiro, afirma que o objetivo da comemoração é “elucidar a comunidade estudantil sobre este acontecimento tão importante para a história da Casa”.

Acerca do poder reivindicativo da Academia, João Caseiro realça: “a AAC tem-se tornado mais dialogante, mas temos noção daquilo que conseguimos ser enquanto associação académica”. O presidente considera que a estrutura ainda “tem força para levar a cabo ações como a Tomada da Bastilha”, porém, sublinha que “o diálogo e a reivindicação responsáveis baseiam a sua intervenção”. Lembra também que a AAC tem outro conjunto de necessidades, uma vez que, além da preocupação com as infraestruturas, tem de haver uma atenção no que toca às secções desportivas e culturais.

Quanto ao conhecimento da comunidade estudantil sobre este episódio histórico, considera crucial que todos os estudantes, e em particular aqueles que vivem o seu primeiro ano em Coimbra, reconheçam a importância desta data. Ao apelar a uma “adesão em peso”, João Caseiro realça que “é um momento muito importante para a Academia” e espera que tenha “mais participação do que no ano passado”.

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