Cultura

Festival Caminhos celebra a abertura da sua 27ª edição

Marília Lemos

“Cinema portugês para todos” é o lema do festival. “Baseado numa História Verídica”, “Tchau Tchau” e “Clube dos Anjos” foram os filmes escolhidos para abrir a edição de 2021. Por Marília Lemos

Foi às 21h45 deste último sábado, 6 de novembro, que o Festival Caminhos do Cinema Português celebrou a sua abertura na Casa do Cinema de Coimbra. O momento contou, além da exibição de três filmes, com a presença de três membros da Comissão de Honra, nomeadamente o presidente da União de Freguesias de Coimbra, João Francisco Campos, a diretora regional de cultura do Centro, Suzana Menezes e a vice presidente do Instituto de Cinema e Audiovisual, Maria Mineiro.

Tiago Santos, organizador do festival, acolheu o público e introduziu esta edição ao nomear suas três seleções competitivas, a Selecção Caminhos, a Selecção Ensaios e a Outros Olhares. Explicou ainda que os  filmes  exibidos   serão  avaliados  por diferentes júris, o  Júri Caminhos, o Júri de Imprensa e o Júri da Federação Internacional de Cineclubes, além do próprio público. Para além das competições, secções paralelas e eventos de formação também vão constituir o festival. Por fim, o organizador convidou o público a “usufruir da vasta seleção destas próximas duas semanas”. 

A palavra foi dada também ao programador João Pais, que manifestou a importância da programação do festival ser pensada como “cinema português para todos”. De acordo com João Pais, “este ‘todos’ refere-se à presença de títulos para diferentes gostos e criados por todo tipo de mentes, desde realizadores de mérito até primeiras obras”. Ressalta ainda que “nesta edição recupera-se o conceito de celebração e proximidade”, que não foi possível na passada, que ocorreu no auge da pandemia.

A exibição arrancou com o curta-metragem “Baseado numa História Verídica”, de João Azevedo, estudante da Universidade da Beira Interior. O curta é parte da categoria Selecção Ensaios, que dá espaço a obras produzidas em contexto académico nacional e internacional. A obra conta a história de um escritor que, preso em um mundo onde a escrita ficcional é proibida, vê-se compelido a fazer os eventos acontecerem, para então poder escrevê-los. O realizador estava presente e, em um breve comentário, ressaltou que seu foco foi “além da temática da morte”, e deu destaque aos traços “quase de psicopata” da personagem principal.

O segundo filme em exibição foi “Tchau Tchau”, de Cristèle Alves Meira, parte da Selecção Caminhos. O curta-metragem narra a relação de uma neta e seu avô em tempos de pandemia, enquanto ela está na França e ele no Brasil. A realizadora, apesar de não poder estar presente no evento, deixou suas reflexões acerca da obra nas redes sociais do Festival. Segundo ela, “o ponto de partida deste filme foi o momento de confinamento e o facto de o mundo ter sido privado de suas cerimónias funerárias habituais”. Refere ainda que “confunde realidade e ficção, como forma de convidar o espetador a entrar num momento de intimidade e filmar de forma frontal a morte e um momento particular da nossa história”.

A noite foi fechada pelo longa-metragem de Angelo Defanti, “Clube dos Anjos”, também integrante da Selecção Caminhos. A obra, recebida com risos e aplausos da plateia, retrata a história do “clube do picadinho”, um grupo de amigos que há anos, unidos pela gula e pela fome, juntam-se em jantares especiais – até que, após cada reunião, um integrante começa a morrer de forma misteriosa. Inspirado no livro de mesmo nome de Luís Fernando Veríssimo, o filme foi rodado no Brasil e conta com grandes atores do cinema brasileiro, como Mateus Nachtergaele e Otávio Muller. Destaca-se também António Capelo, ator português que representa o personagem “Ramos” e esteve presente na abertura para dar um breve comentário. De  acordo com o ator, a obra reflete a “instabilidade política do momento em que foi produzido no Brasil”, e referiu ainda que esta foi a primeira exibição do filme, “que ainda não pôde sequer ser visto pelos outros atores”. 

Após o término da sessão, os presentes espetadores já tiveram a oportunidade de registar as suas opiniões acerca dos filmes. A eleição acontece por meio de boletins de votos numa escala de zero a cinco, dos quais resultará a escolha do Prémio do Público.  

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