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CE apresenta prioridades do novo plano estratégico

Antónia Fortunato

Representantes da Comissão Europeia expõem estratégias para os próximos cinco anos da Europa. ‘Brexit’ e transição económica voltada para as pessoas foram alguns dos temas abordados. Por Francisco Barata e Antónia Fortunato

Perante uma sala cheia, foram hoje expostas as prioridades delineadas pela nova Comissão Europeia (CE),  para o período 2019-2024. O evento, que permitiu o diálogo entre cidadãos e representantes da CE, focou-se em temas como a neutralidade climática, a era digital e uma economia dirigida a pessoas.

A palestra começou com uma mensagem enviada pela presidente da CE, Ursula von der Leyen, seguida pela descrição do plano estratégico para a Europa. Os seis objetivos do plano da comissão foram apresentados por Sofia Colares Alves e Francisco Fonseca Morillo, representantes da CE em Portugal e Espanha, respetivamente.

Sofia Alves identificou como maior prioridade o Pacto Ecológico. “Todas as políticas terão que ter um ângulo sustentável, de proteção ambiental e luta contra as alterações climáticas”, afirmou. Ainda que atenta às questões ambientais, a CE preocupa-se com uma transição justa para uma economia circular sustentável. Ilustrou a situação das  fábricas de carvão. Estas empregam muitos funcionários, que podem ser afetados pelo desemprego.

A oradora prosseguiu com as medidas de exploração do potencial da era digital. Referiu as vantagens da otimização do tratamento de dados em tempo real para a melhoria da qualidade de vida dos europeus. “O programa Copernicus processa muita informação em simultâneo para prever a ocorrência de desastres naturais”, exemplificou a representante da CE em Portugal. Legislar direitos de autor, proibir o discurso de ódio ‘online’ e promover competências digitais foram outros tópicos abordados.

Sofia Alves terminou a sua apresentação com propostas que visam colocar a “economia ao serviço das pessoas”. Equidade social e prosperidade são as bandeiras deste objetivo. Referiu que vão ser implementados 20 princípios, acordados entre os estados-membros, para a “promoção dos direitos sociais”. A oradora mencionou ainda a criação de um sistema de resseguro de desemprego como medida social.

Já Francisco Morillo discutiu os restantes objetivos. De forma a proteger o modo de vida europeu, destacou a necessidade de uma “política migratória proativa no lugar de uma política reativa”.  Isto é,  criar soluções antes de ocorrem problemas neste domínio. Sublinhou ainda a necessidade de fortalecer a presença europeia no comércio internacional. O último ponto do plano estratégico explicado pelo orador visa impulsionar a democracia europeia através do aumento da transparência e do envolvimento dos europeus no processo legislativo.

Ao longo das duas horas do colóquio, o tema do ‘Brexit’ foi várias vezes abordado. Sofia Alves esclareceu que Inglaterra vai continuar a pagar os acordos assinados mesmo após a sua saída. No entanto, se o processo se concretizar, a União Europeia perde cerca de dez mil milhões de euros em fundos.

O evento encerrou com a oportunidade para perguntas da plateia à mesa.  A audiência privilegiou temas como a abstenção nas eleições parlamentares, a liberdade de expressão na ‘Internet’ e a emergência de extremismos no espaço europeu.

O debate foi moderado por Olinda Martinho Rio, investigadora no Centro de História da Sociedade e da Cultura da UC. A conferência realizou-se durante a tarde no Anfiteatro I da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

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