Ciência & Tecnologia

FCTUC pela redução de acidentes explosivos

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Contabilização de acontecimentos em conjunto com as autoridades nacionais.  Objetivo é reduzir o número destas ocorrências em Portugal. Por Patrícia Silva

Uma equipa da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está, desde março, responsável pelo estudo das causas e consequências dos acidentes explosivos registados nos últimos 20 anos, a pedido do departamento de armas e explosivos da Polícia de Segurança Pública (PSP). Este trabalho visa, como conta o coordenador do projeto, José Carlos Góis, “todos os acidentes que incluam produtos explosivos” utilizados em pedreiras e minas, para fazer o desmonte da rocha ou abrir um túnel.

O estudo consiste em analisar os “dados que têm sido acumulados ao longo de 20 anos”, explicou o coordenador. Desta forma, devem percepcionar quais os materiais e os processos condutores de mais acidentes e as razões para essa ocorrência. Caso se tenha notado uma redução do número de ocorrências é necessário identificar as razões, sejam elas “medidas legislativas criadas entretanto ou outros dados que sejam possíveis de apurar e que possam ter levado a ações de formação”, esclarece José Carlos Góis.

O resultado desta análise procura promover a alteração das práticas.  O coordenador sublinha que a pesquisa serve para que seja possível encontrar dados de apoio na legislação e “ definir questões de formação que sejam prementes, ou regras de segurança que sejam necessárias introduzir”.

Neste momento, a investigação está ainda parada por questões burocráticas. “Estamos em fase de entrevistas de contratação de um bolseiro para participar neste projeto”, revela o coordenador. O indivíduo selecionado vai, junto da PSP de Lisboa, “recolher a informação que está na posse das autoridades”. A acrescentar a estes dados, a equipa da FCTUC procura ainda solicitar informações a entidades como “a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACP), o INEM e os hospitais”, enuncia José Carlos Góis.

A investigação tem várias finalidades, como um relatório de dados e uma análise num grupo restrito de acidentes. Para além disso, “a elaboração de uma brochura e outros documentos”, de forma a que sirvam também para melhorar a legislação, “ações de formação, ações de fiscalização da PSP e ações de sensibilização”, são outras propostas.

Porém, o objetivo principal é a elaboração de um ´template´ para o levantamento de acidentes. Essa plataforma ‘online’ destina-se à PSP, GNR, bombeiros, INEM  e ACT  “carregarem informação relativa a cada acidente”, explicou o coordenador. Isso contribuía para que “um grupo de peritos consiga, de 6 em 6 meses, analisar os acidentes ocorridos” e evitar a necessidade de análise de 20 anos.  O ‘template’ ia servir, de igual forma, para a produção de informação adequada a pessoas que utilizam os produtos explosivos, “no sentido de gerar recomendações práticas, alterar processos de formação ou de fiscalização”, terminou José Carlos Góis.

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