Cultura

Balanço e destaques do Festival Caminhos

Vittorio Alves

Salas cheias e caráter pedagógico marcam 24ª edição do Festival. Organização apela por melhores condições técnicas em edições futuras. Por Bruna Cadima e Júlia Fernandes

Finda a mais recente edição do Festival Caminhos, a organização faz um balanço positivo. Coimbra acolheu o evento que decorreu de 23 de novembro a 1 de dezembro. O programador geral, João Pais, vê a cidade como “a capital do reencontro entre os principais intervenientes do cinema português”. Apesar de não existirem ainda dados exatos sobre o número de participantes, o programador destaca a “existência de algumas sessões com salas bem compostas”. A transversalidade da programação, que permitiu a presença de crianças e seniores, foi essencial para a organização atingir os seus objetivos.

O filme “Cabaret Maxime”, do realizador Bruno de Almeida, ganhou prémios como melhor banda sonora original, melhor realizador, melhor direção artística, melhor ator secundário e grande prémio. João Pais atribui este sucesso ao apelo que o filme faz à “saudade estética” e ao facto de falar de um “marco histórico” – o Cabaret Maxime. O programador acredita que a importância do filme nasce também da empatia que é criada por duas coisas: “pelo cinema americano, que consideram como cinema clássico, e pela temática clássica”.

“Até Que o Porno Nos Separe”, de Jorge Pelicano, foi um dos destaques citados por João Pais. O filme ganhou o prémio para melhor documentário e ainda o prémio do público. O programador salienta que “não existe cinema sem espectadores”. O prémio do público é importante por ser um “feedback direto de quem assiste”, acrescenta. Sobre esta sessão, que ocorreu no dia 30 de novembro, João Pais fala em nome de toda a organização quando se diz surpreendido e satisfeito com o resultado. Confessa ainda que “era um aparente risco que se tornou num sucesso”.

A presença dos realizadores e dos atores convidados tem um “papel pedagógico”. João Pais destaca duas vertentes deste papel. A primeira diz respeito à possibilidade que os “realizadores que competem em contexto académico têm para aprender com os grandes monstros do cinema”. A segunda relaciona-se com a possibilidade de conversa com os atores e realizadores, no final das sessões. “Este ano tivemos um público muito interessado em saber os processos criativos e, por meios destas conversas, deixa-se um bichinho a todos os que assistiram”, conta João Pais.

Para as edições futuras, João Pais pretende “continuar a mostrar o melhor do cinema português e a aumentar o número de espectadores”. Os desejos da organização são o aumento dos apoios e a melhoria das condições técnicas do Teatro Académico de Gil Vicente. Estas mudanças servem “para agradar tanto aos espectadores como aos criadores”, destaca o programador. No contexto das curtas-metragens que, muitas das vezes, só têm esta oportunidade para ser mostradas, João Pais destaca a importância de ter melhores recursos. “A partir do momento que só têm esta oportunidade, elas merecem ser mostradas da melhor forma possível”, conclui.

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